PEDAGOGIA DO CANTO E DO SILÊNCIO NAS CELEBRAÇÕES
O canto e a música na liturgia (p.4)
O
Apóstolo Paulo exorta os fiéis a reunirem-se em assembleia, na expectativa da
vinda do Senhor, cantando juntos salmos, hinos e cânticos espirituais (Cl
3,16), pois o canto expressa a alegria que brota do coração (At 2,46). Por
isso, deve-se dar grande valor ao uso do canto nas celebrações, levando em
consideração a cultura e as condições de cada comunidade litúrgica.
Em
sintonia com as diretrizes do Concílio Vaticano II, entende-se que a música
verdadeiramente litúrgica é aquela que se harmoniza profundamente com a ação
ritual, servindo ao momento específico da celebração e contribuindo para a
participação ativa dos fiéis (SC 112). A música litúrgica leva para a celebração
o aspecto lírico e festivo, contribuindo “com o fato de que a celebração não
fala somente à inteligência, mas, antes de tudo, ao coração” (A arte de
celebrar, p. 57).
Os cantores e os instrumentistas (p.4)
O
ministério dos cantores e músicos requer uma espiritualidade litúrgica: a
celebração não é um show, apresentação de qualidades ou virtudes. Os cantores e
instrumentistas devem, antes de tudo, mergulhar no mistério, ouvir com a devida
atenção a Palavra de Deus e participar intensamente de todos os momentos da
celebração.
O
grupo de cantos ou coral tem a função de promover a ativa participação dos
fiéis no canto. Os cantores devem dirigir, apoiar e “sustentar” o canto da
assembleia. A própria colocação do coro (lugar dos cantores) deve mostrar a sua
real natureza e função. Este grupo, especializado ou não, é uma porção da
assembleia dos fiéis, portanto seu melhor lugar é próximo à assembleia, mas não
de costas para ela; voltado para o altar (que é o centro da celebração), e não
de frente para o povo; e fora do presbitério.
Critérios
para a escolha dos cantos na Missa
2. Evitem-se melodias e textos adaptados de canções populares ou de trilhas sonoras de filmes e novelas;
3. Leve-se em conta o tipo de celebração, o momento ritual em que o canto será executado e as características da assembleia;
4. Respeite-se a espiritualidade e as características próprias de cada tempo litúrgico (Advento, Natal, Quaresma, Páscoa, Tempo Comum) e das Festas/ Solenidades;
5. Leve-se em conta a cultura do povo local;
6. Os cantos devem estar de acordo com a Liturgia da Palavra.
Orientações Gerais
O
salmo seja, preferencialmente, sempre cantado. Contudo, o salmista deve ter
conhecimento e qualidades musicais e vocais reconhecidas. Saber usar a voz de
forma adequada, além de ser muito afinado; deve ser um bom solista, o melhor
cantor do grupo; do contrário, é preferível que o salmo seja recitado,
cantando-se apenas o refrão com toda a assembleia.
Durante
a oração eucarística não se toca nem se canta nada além das aclamações próprias
da assembleia (durante a narrativa da instituição da Eucaristia (consagração),
preserve-se o silêncio absoluto).
O
“canto da paz” não está prescrito em nenhum ritual da Igreja. Vale lembrar que
o momento do abraço da paz é previsto para as pessoas se cumprimentarem
desejando a paz, e não se ocuparem com um canto ou outros gestos, portanto, não
há espaço para um canto da paz. O Papa Francisco reiterou essa inexistência do
canto da paz na carta circular: “O Significado Ritual do Dom da Paz na Missa”
de 2014.
É
aconselhável o costume de ensaiar as partes da assembleia antes da missa
(refrões, aclamações...), contudo, é necessário reservar um momento de silêncio
entre este breve ensaio e o início da celebração (pode-se cantar um refrão para
criar o ambiente orante...).
Os
instrumentos musicais devem sustentar o canto, facilitar a participação e criar
a unidade da assembleia. Por isso, deve-se cuidar do excessivo volume para não
inibir a assembleia e o próprio canto; a postura de quem toca para não haver a
impressão de um show e o toque em momentos inoportunos. Qualquer instrumento
pode ser utilizado na liturgia, contanto que a maneira de os tocar corresponda
a sua finalidade e seja harmoniosa.
O silêncio
Oportunamente,
como parte da celebração, deve-se observar o silêncio sagrado antes e durante a
celebração na Igreja, na sacristia e nos ambientes próximos para que todos se
disponham devota e devidamente para realizarem os sagrados mistérios. Também
entre os gestos rituais que pertencem a toda a assembleia, o silêncio ocupa um
lugar de absoluta importância. É expressamente prescrito várias vezes nas
rubricas, em alguns momentos da Missa e especialmente após a homilia e após a
comunhão. O silêncio ajuda a todos se concentrarem no que deve ser realizado,
abre e prepara para o mistério, permite a assimilação e o ressoar da Palavra
ouvida. IGMR 45.
Momentos de silêncio:
Ato penitencial, Após o “Oremos”, Após a
homilia, Após a Comunhão, Antes da Missa
Cuidados essenciais:
Escolha de repertório (em todos os momentos).
Atenção ao Salmo
A forma de cantar e de tocar os instrumentos
A forma de se portar
Sempre se fazer a pergunta: eu estou me ajudando e ajudando os irmãos a rezar?



